FIM DAS RECEITAS DO PETRÓLEO PARA A EDUCAÇÃO E A SAÚDE

Jornal Mural da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação
MAIO • 2016
As leis 12.351 e 12.858 que destinam recursos do Fundo Social e dos royalties do petróleo para a educação e a saúde estão prestes a ser revogadas com a aprovação do PLS 131/15, do senador José Serra (PSDB-SP e atual ministro de Relações Exteriores) e do PL 6.726, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE e atual ministro da Educação). Essa medida, junto com os demais cortes orçamentários que se avizinham, inviabilizará por completo a meta 20 do PNE, que prevê investir 10% do PIB na educação.
Fonte: http://cnte.org.br/images/stories/2016/jornal_mural_maio_2016_final_web.pdf
ato educação_29_06_2016_02
PRIVATIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO BÁSICA E SUPERIOR
O repasse das gestões administrativa, pedagógica e financeira das escolas públicas para Organizações Sociais e a política de
vouchers para o ensino médio, entre outras parcerias público-privadas, serão a tônica da política do MEC para a educação básica. Já
na educação superior, a “Ponte para o Futuro” orienta a cobrança de cursos de pós-graduação e extensão nas universidades públicas.
CORTE NA POLÍTICA DE ACESSO À UNIVERSIDADE E À EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA
O governo interino de Michel Temer já anunciou cortes em programas de expansão das matrículas em nível superior,
como Prouni e FIES, e a retração dos investimentos para a construção de novas Universidades e Institutos Federais de
Educação Profissional e Tecnológica (IFES). Na última década foram construídas 18 universidades públicas, 173 novos campi
universitários e 422 IFES. Ainda assim, o Brasil está longe de garantir a presença massiva de jovens e adultos na educação
profissional, superior e tecnológica (metas 11 e 12 do PNE). O novo governo também fará cortes substanciais no Pronatec.
AMEAÇA AO PISO DO MAGISTÉRIO E À POLÍTICA SALARIAL DOS SERVIDORES PÚBLICOS
A partir de 2017 não há mais garantia de ganho real para o piso salarial nacional do magistério, seja em função
de o Congresso Nacional finalizar a tramitação do projeto que vincula o reajuste do piso ao INPC (repondo
apenas a inflação), seja pelo congelamento dos planos de carreira dos servidores públicos que se pretende
instaurar com a aprovação do PLP 257/2016, que trata da renegociação das dívidas dos Estados com a União
e da reforma da Lei de Responsabilidade Fiscal, com mais arrocho salarial aos servidores públicos.
MAIS MERITOCRACIA E MENOS DIREITOS NAS CARREIRAS DOS TRABALHADORES EM EDUCAÇÃO
A “Ponte para o Futuro” já anunciou que a política remuneratória dos profissionais da educação (limitada
ao magistério), a partir de agora, se concentrará em bonificação e certificação profissional, atrelada aos
resultados dos estudantes em testes de proficiência. Não há nenhuma perspectiva de avanço nas políticas
de valorização profissional pretendida pela CNTE e seus sindicatos filiados, a exemplo da regulamentação do
piso e das diretrizes nacionais para os planos de carreira de todos os profissionais da educação (professores,
especialistas e funcionários), com maior aporte de recursos do governo federal a estados, DF e municípios.
FIM DA APOSENTADORIA ESPECIAL DO MAGISTÉRIO
Em breve o ministério da Fazenda (e da Previdência Social) anunciará uma nova reforma previdenciária válida
tanto para os empregados da iniciativa privada como para os servidores públicos. Em suma, as mudanças na
legislação se pautam na elevação da idade mínima de homens e mulheres para 65 anos, sem diferenciação
de sexo, na limitação da aposentadoria rural e no fim da aposentadoria especial do magistério.
INANIÇÃO DAS METAS DO PNE E DESPREZO À PARTICIPAÇÃO SOCIAL
Para que o Plano Nacional de Educação saia do papel é preciso, além de mais recursos financeiros, regulamentar no
tempo correto uma série de medidas como o Sistema Nacional de Educação, o Custo Aluno Qualidade, o Piso e as
Diretrizes de Carreira para todos os profissionais da educação. Contudo, esses temas não fazem parte do programa
“Uma Ponte para o Futuro” e não há garantias de que serão implementados, devendo, portanto, a mobilização da
categoria e da sociedade ser fortalecida em torno deles. Também a participação social no processo de construção
do PNE e de outras políticas públicas corre sério risco com a opção do governo interino em constituir equipes de
“notáveis” para elaborar as políticas educacionais, a exemplo da que preparou o atual programa de governo.

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